A situação política nacional é deveras preocupante. E será tanto pior se se vier a concluir que um governo com maioria absoluta caiu com base numa atuação errada por parte do ministério público. A juntar-se a tudo isto, uma suspeita que impende sobre a conduta do Presidente da República, no caso das gémeas, não ajuda em nada. Tudo o que tem sucedido só favorece um partido – o Chega.
Quanto à dissolução da AR, o Presidente da República não tinha outra hipótese. O parágrafo do comunicado da parte do Ministério Público a isso obrigou. Lamentavelmente, creio que o primeiro-ministro e o seu governo caíram porque António Costa amarrou o seu destino às escolhas que fez. Atendendo ao facto de que, até Março, creio que o Ministério Público, para se defender dos erros grosseiros que já se provou ter cometido, irá deixar sair mais “notícias” sobre os casos em causa, temo que a indignação possa subir de tom. Por outro lado, porque o PSD tem um líder fraco que não fez coligações pré eleitorais que excluam o Chega de vez e para lá de qualquer dúvida, o eleitor moderado de centro direita pode assustar-se.
Creio que ganhará Pedro Nuno Santos as eleições internas do PS, mas não antevejo que, mesmo que o PS ganhe as eleições, os partidos da antiga geringonça queiram alinhar só porque sim. Isso custou-lhes uma parte do seu eleitorado. Pode o PS ganhar as eleições, mas há a possibilidade de maioria de deputados à direita. Seja como for, esperemos que não seja o caminho para uma outra dissolução do Parlamento. Os tempos da estabilidade parecem ter terminado. Poderemos enfrentar ciclos governativos de curta duração e com apoios cuja geometria pode variar.
Ricardo Mesquita
Jurista












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