por | 2 Mar, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

A família é um motor do hóquei nacional

Bruno Miguel Alves da Fonseca Santos

Falar de Bruno Santos é falar de hóquei em campo, desporto que praticou dos 6 aos 38 anos. Ele é uma das maiores referências lousadenses e nacionais da modalidade. Como jogador ganhou quase tudo o que esteve ao seu alcance. Desse envolvimento na modalidade valoriza o que o hóquei lhe deu, “não só desportivamente, mas sobretudo no campo social: os amigos”. Atualmente, é presidente da Federação Portuguesa de Hóquei, onde tem desenvolvido um trabalho extraordinário na expansão da modalidade.

Pertence à família “Severa”, alcunha famosa ligada ao desporto lousadense. A força de famílias no hóquei em campo ou em pavilhão (indoor) é uma realidade no hóquei em  Lousada e no país, mas também no estrangeiro. Exemplo recente disso é a dupla de irmãos Hallmann, da Alemanha, que têm nacionalidade luso-alemão, pois são filhos de mãe portuguesa e por isso jogam pela seleção das quinas.

Embora os seus tios também tivessem passado pela modalidade, o seu pai José Santos “Severa” foi um praticante destacado nos tempos dos pelados, coisa de um passado ainda não muito distante e que serviu para alicerçar um desporto que tem milhares de praticantes em Portugal e está em expansão.

Bruno Santos justifica a importância familiar na modalidade pelo facto de ser “um desporto que é muito envolvente e que cria espírito de grupo e de participação” e acrescenta que “a transmissão de ensinamentos de uns para os outros é algo que faz criar várias gerações de hoquistas dentro da mesma família”.

Bruno Santos_Tal pai, tal filho, tal neto

O convívio de familiares nas bancadas, antes, durante e após os jogos e os treinos, é uma dinâmica social muito forte, que Bruno Santos quer potenciar ainda mais. Uma das formas de obter isso é a construção de infraestruturas de apoio aos campos e pavilhões onde se joga hóquei, com restaurantes, cafés e parques de lazer. “Para fazer crescer a modalidade é preciso incentivar essas construções onde se desenvolvem práticas salutares, para trazer os familiares dos jogadores para a modalidade, onde podem ser dirigentes dos clubes, das seleções, onde podem ser árbitros, enfim, há imensas possibilidades, que já começamos a ver concretizadas em Portugal, mas que noutros países são há muito um fator de grande sucesso do hóquei”, afirma o lousadense, que é presidente da Federação.

Recorde-se que Bruno Santos concorreu contra o anterior presidente, o bracarense Armindo Vasconcelos, que derrotou no ato eleitoral. Embora ainda não queira confirmar, o lousadense deverá candidatar-se a um segundo mandato, lá mais para o final deste ano.

“Quando eu e a minha direção entramos para a Federação, estávamos no início da pandemia da COVID-19, que não ajudou ao nosso arranque, mas passado isso, fomos aplicando os nossos projetos e é com satisfação que vemos em Portugal doze equipas de sub12, escalão que não havia, assim como sub15, com seis equipas”, enaltece este amante do hóquei.

VIDA PARA ALÉM DO HÓQUEI

Concorda que há expectativas a aumentar quanto ao que a seleção pode vir a atingir. “Neste europeu que se realizou em Janeiro, estivemos muito perto de ir às meias-finais e consequentemente almejar a ida ao Mundial, o que seria um feito fabuloso”, refere o dirigente, que está confiante na subida da fasquia, pois é fruto do trabalho e desenvolvimento deste desporto em Portugal.

“Cresci no hóquei, sempre com objetivos para atingir. Primeiro queria ser titular, depois marcar um golo, depois jogar com os meus ídolos, chegar à seleção, ser capitão, ir a um europeu, etc etc” e assim fez uma carreira recheada de êxitos. “Hoje é mais fácil jogar num clube estrangeiro e no meu tempo de jogador isso só me foi possível porque a modalidade acabou em Lousada em 2007 e eu fui para o Ourense, de Espanha”, declara.

Quando chegou aos seniores, o Lousada apenas obtivera dois títulos, mas as sementes tinham sido lançadas e era tempo de colher frutos. “Fiz parte da equipa que ganhou o primeiro campeonato nacional indoor (chamava-se hóquei de sala) e lembro com orgulho e satisfação que marquei o «golo de ouro» na final desse campeonato, contra o União de Lamas”, recorda Bruno Santos.

Depois disso o Lousada voltou a fazer história no hóquei, com um feito extraordinário: a conquista de 8 (oito) campeonatos consecutivos, facto que nem o Ramaldense conseguiu, mesmo sendo a equipa portuguesa com mais títulos (33).

O dirigente e antigo praticante, além de presidente da federação, é membro do Board europeu da modalidade. Também por isso o seu quotidiano respira e transpira hóquei. Mas tem vida para além disso, pois claro. Bruno Santos, de 42 anos, é consultor pedagógico da Porto Editora. Formou-se no ISCE em matemática e ciências e foi professor do ensino básico e do 2o ciclo na variante de matemática e ciências da natureza. Gosta de praticar desporto, viajar, estar com o filho, cozinhar, ler, entre outros passatempos.

Bruno Santos

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