por | 30 Out, 2024 | Associativismo, Sociedade

Artes marciais fortalecem o espírito

NÚCLEO DE KICKBOXING DE LOUSADA

Uma referência das artes marciais em geral e do Kickboxing em especial, em Lousada e na região é o mestre Nelson Aguiar. A sua dedicação tem ajudado à expansão deste setor desportivo. O núcleo de Kickboxing e de Muaythai na Lousada Século XXI está em alta e fomos conhecer a filosofia e os planos destas modalidades que estão implantadas aqui há duas décadas e envolvem atualmente cerca de 35 atletas.

O Kickboxing começou em Lousada na empresa Lousada Séc.XXI (Piscinas Municipais) em 2010 e atualmente conta com cerca de 35 atletas. Mas Nelson Aguiar orienta mais de 100 atletas espalhados pelo Vale do Sousa e Baixo Tâmega, devido às filiais que tem em Penafiel, Paredes, Baião e Lousada.

O especialista disse-nos que “para experimentar a modalidade a pessoa apenas precisa de vestuário de desporto e gosto pelas artes marciais e desportos de combate”.

Revelou que o clube participa em cerca de vinte provas por ano, desde regionais, nacionais, Taça Portugal, torneios mundiais, e galas amigáveis.

De forma básica, começa por dizer que “o Kickboxing é um desporto de combate, mas durante a sua aprendizagem têm sempre de aprender técnicas de defesa pessoal” e especifica que “o Kickboxing divide-se essencialmente em «disciplinas de velocidade», que se chamam Kick-light, Light contact e Semi, há também as «discípulas de potência», que são Low Kick, Full contact e ainda a K1.

Ao longo de duas décadas, a Lousada séc. XXI “tem conseguido nesta modalidade vários campeões nos campeonatos Regionais, na Taça de Portugal, nos Nacionais e até campeões Mundo”.

Falando de si, Nelson Aguiar afirma que começou “na empresa Lousada Séc.XXI com 18 anos de idade ainda como nadador salvador, entretanto tirei o curso de monitor de natação”.

“Como nessa altura era atleta de Kickboxing e já com alguns títulos reconhecidos pela Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai surgiu a oportunidade de iniciar uma turma em desportos de combate”, afirma o especialista.

Foi então que realizou “o curso de técnico de exercício físico e posteriormente técnico de desporto em desportos de Combate”. Posto isso, em 2010 iniciou a primeira turma de Kickboxing.

“O setor das Artes Marciais tem sempre boa implantação nestes concelhos, quer a nível desportivo, seja por lazer ou competição, mas também, pelas pessoas procurarem sempre aprender como se defender da sociedade por vezes complicada”, afirma Nelson Aguiar.

Nelson Aguiar com uma lenda tailandesa do kickboxing

Lamenta que seja “um desporto pouco apoiado, mas como sabemos em Portugal só funciona futebol”.

Neste momento orienta e treina atletas dos 4 aos 55 anos, homens e mulheres. “É um desporto que facilmente se adapta ao perfil e necessidade de cada um”, não só em termos pessoais “como também a nível profissional, pois as pessoas procuram muito aumentar a sua auto-estima e confiança, melhorar a sua saúde física e mental”.

Estas são modalidades tradicionalmente masculinas, mas isso parece estar a mudar: “há cada vez mais as mulheres que procuram este tipo de desportos, mas ainda há algum complexo por se sentirem em minoria”, mas acrescenta que “é um aspeto que tem gradualmente diminuído”.

Dos muitos casos de sucesso ou com visibilidade nacional, ligados à orientação e treino de Nelson Aguiar é um que podemos destacar. Trata-se do atleta António Pinharandas, natural da Guarda, mas que está em há quase 30 anos. Este atleta de 51 anos é competidor no Campeonato Nacional de Kickboxing.

Depois de um longo percurso em várias modalidades desportivas, nomeadamente no Taekewondo, Pinharandas aderiu ao Kickboxing aos 44 anos depois de desafiado a experimentar pelo mestre Nelson Aguiar. O que começou como uma prática desportiva para recreio e uso pessoal, acabou por se tornar num caso muito sério no plano competitivo.

Acerca disso, Nelson Aguiar revela que uma das suas funções é “orientar os atletas no caminho certo e ajuda-los a atingir os objetivos que eles pretendem”, acrescentando que no caso deste atleta, o objetivo inicial era «perder peso e aprender a defender-se», mas depressa acabou por ser “um exemplo de dedicação e empenho para os mais novos, e como a idade é apenas um número e o espírito jovem dele apelava a mais e mais surgiu a intenção de o levar a competição e assim foi”.

O orgulho de mestre e atleta são reconhecidos pela própria Federação Portuguesa de Kickboxing e Muaythai onde são duas referências da atualidade.

Numa mensagem final ao público do O Louzadense, o mestre Aguiar diz que “toda a gente deveria praticar, é muito bom a nível físico e psicológico, principalmente os miúdos. Qualquer arte marcial faz com que se tornem boas pessoas, mais pacíficas. Se o dia correu menos bem, isto faz-nos libertar, é diferente, a arte marcial cria regras e respeito. Pais incentivem as crianças a ir, quando somos novos é fácil abandonar porque é chato treinar todos os dias ou 3/4 vezes por semana, no inverno está frio, mas ao fim e ao cabo torna-se um vício saudável sem o qual não conseguimos viver”.

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