por | 6 Ago, 2025 | Uncategorized

CAMINHO DE FERRO: UMA DAS MAIORES RIQUEZAS DE LOUSADA FAZ 150 ANOS

A Linha do Douro, que liga Porto à Régua, é uma valência da maior importância nos últimos 150 anos da região. Como alguém disse um dia, a linha férrea é um colar com duas jóias a ornamentar Lousada: o apeadeiro de Meinedo e a estação de Caíde de Rei. Celebra-se uma via de comunicação que impulsionou a vida social e a economia local e regional. Entretanto, a Norte, não surgirá tão cedo a tão desejada Linha do Vale do Sousa…

Estão de parabéns as joias da via férrea e é tempo de se recordar as pessoas e as origens numa altura em que passam 150 anos da chegada do caminho de ferro a estas paragens valsousenses.

“Ainda que o apeadeiro de Meinedo se encontre associado à linha de caminho-de-ferro do Douro, a sua construção é de data posterior à abertura do troço entre Novelas (Penafiel) e Caíde de Rei (Lousada), efetuada em 20 de dezembro de 1875. A sua existência deveu-se à tenacidade da Junta de Freguesia, que, a partir de 1883, enceta os necessários esforços tendo em vista a construção de uma paragem de comboios nas proximidades da igreja de Meinedo”, refere Luis Sousa, arqueólogo.

O primeiro requerimento, endereçado ao Governo de Sua Majestade, data de 18 de fevereiro de 1883, e foi assinado pelo então regedor da freguesia – António Moreira Duarte Bessa –, e pelo pároco da freguesia – Agostinho Lopes Coelho Ferraz –, justificando aí ser um apeadeiro em Meinedo “obra sem a qual soffre muito prejuízo esta freguesia, bem como a vila de Louzada”.

Esta tentativa junto do Governo não sortiu efeito, sendo declinado o pedido. Todavia, não esmorece a Junta e engrossa o processo com novo requerimento, remetido a 20 de janeiro de 1884. O argumento passa agora por solicitar uma obra de dimensão mais comedida e que não oferecesse um completo serviço. Mas mais que a redução da obra, como destacado por Hugo Silveira Pereira, em “Quando o comboio chegou a Lousada”, foi o facto de o ofício ser “acompanhado de duas representações das câmaras municipais de Lousada e Penafiel”. Quer tenha pesado a questão da redução da globalidade da obra quer a das representações das câmaras de Penafiel e de Lousada, certo é que a proposta acabaria por ser aceite e tornou-se uma pérola de uma espécie de colar que ornamenta Lousada, que ntem nessa via um diamante em Caíde de Rei.

A vetusta Estação de Caíde de Rei

Esta estação foi inaugurada aquando da abertura do troço da Linha do Douro entre Novelas (Penafiel) e Caíde (Lousada), que aconteceu a 20 de dezembro de

1875. A expetativa há muito vinha a aumentar entre a população local, pelo que a afluência à estação foi expressiva neste dia. Numa notícia no jornal O Primeiro de Janeiro

dessa época, editada do dia seguinte à abertura do troço, lê-se que:

“À hora annunciada inaugurou-se hontem o lanço da estrada do caminho de ferro

do Douro, de Novellas a Cahide. A festa correu com enthusiasmo sincero e espontaneo, como acontece todas as veses que o povo comprehende as vantagens

que resultam dos melhoramentos materiaes que pouco a pouco vamos obtendo

[…]. Na estação de Cahide, que se achava embandeirada, havia igualmente grande concurso de cavalheiros e damas da localidade e circumvisinhanças, e duas

philarmonicas. A’ chegada do comboio, subiram ao ar innumeros foguetes, tocaram as musicas e no rosto de todos os presentes notava-se verdadeira alegria.

Em um pavilhão, o snr. visconde de Alentem offereceu um opiparo lunch de 60

talheres. O serviço foi profuso e esmerado e fiseram-se varios brindes, no meio

sempre de sincero enthusiasmo” (Pereira, 2021, p. 41).

Embora tenha imenso potencial para se expandir em volume de mercadorias e pessoas, Caíde não tem presentemente a dimensão do movimento de pessoas e mercadorias

de outros tempos, mas foi, sem dúvida, uma das mais importantes estações para o concelho de Lousada e para os concelhos vizinhos, designadamente Celorico de Basto, Felgueiras e Amarante.

FIGURAS HISTÓRICAS DA FERROVIA

É sabido que numa estação ferroviária, a função que se encontra mais carregada de simbolismo e reverência é a de chefe de estação. Mas, como refere o Boletim da CP n.º 404, de fevereiro de 1963, citado na revista Oppidum de 2024, “se há lugares ingratos, nesta vida do caminho-deferro, o de chefe de estação é um deles. Ser chefe é fácil; ser um bom chefe é difícil”.

Naquela publicaçãosurge uma lista de chefes de estação e guardas de passagem, quer de Caíde de Rei quer do apeadeiro de Meinedo, embora mais ferroviários lousadenses qtenham desempenhado iguais funções e ambos os locais, desempenharam

as mais diversas funções para que foram contratados. Se tem conhecimento de algum

familiar ou amigo que tenha desempenhado uma qualquer atividade dentro do universo

dos caminhos-de-ferro no concelho de Lousada, ajude-nos a preservar a sua memória.

Em meados do século XX foram chefes de estação em Caíde: Aniceto Monteiro Bonifácio, Aníbal Tavares Teles, José Ferreira de Sousa, José Ferreira, José Teixeira Alves de Moura, Albino Ribeiro de Araújo.

De 1977 a 1989 a estação caidense foi chefiada pelo meinedense António Teixeira de Matos, que já havia sido chefe de apeadeiro na sua freguesia natal. Tem 93 anos e reside no lugar e peadeiro, em Meinedo.

De 1989 a 2002 o chefe de estação foi Cristóvão Barbosa Machado da Silva e entre maio de 2002 à atualidade, o caidense José Cunha de Sousa é o repetivo Chefe de estação.

As passagens de nível tiveram as seguintes guardas: Lurdes do Céu Matias (de 1967 a 2001), Maria Vitória Carvalho (1972 a 1991), Rosa Maria Soares Rodrigues (entre 1975 e 1990), Maria Margarida Pereira (1979 a 1988) e Emília dos Santos (1988 a 1992).

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