Opinião de Maria Neto, nutricionista
A fome designada por ‘emocional’ assenta em origens diversas e possui um espectro amplo de motivações. Surge subitamente e não tem correlação com as necessidades do organismo, não despoletando desconforto físico, estando assim, interdependente do estado emocional, normalmente associa-se a emoções negativas. Desencadeando uma ingestão inconsciente de grandes quantidades, de forma seletiva, ou seja, é satisfeita com alimentos específicos, ricos em açúcares ou com a combinação gordura-sal-crocante, que provocam uma sensação de prazer e bem-estar. Contudo, esta sensação é efémera, pois rapidamente, rever-te numa nova quebra de humor, gerando um círculo vicioso, designado mecanismo de recompensa.
Assim, poderá motivar a sensações de culpa após ingestão. Pode ainda, ser acionada por comportamentos de recompensa menos saudáveis, pontuais, ou distúrbios alimentares (anorexia, bulimia, etc.), que carecem de acompanhamento clínico específico.
Neste sentido, é determinante estabelecer estratégias para combater a fome emocional, por métodos desafiantes, ao invés de ceder ao desejo de comer que, a longo prazo, vai ser decisivo para se ser mais saudável, quer do ponto de vista nutricional, quer emocional. Deste modo, é preponderante a identificação da causa da fome emocional, o gatilho que aciona a alimentação como um mecanismo de reconforto. Dado que, ao ser conhecida a causa mais facilmente se encontrará uma solução. Torna-se crucial fazer um diário alimentar e como se sente nessas refeições, posteriormente, poderá conseguir identificar melhor qual a origem da fome emocional e conseguirá entender a dimensão do impacto desta na ingestão alimentar.
É também, crucial fazer refeições equilibradas, completas e adequadas, promotoras de saciedade, bem como, procurar distrações alternativas à comida, como por exemplo, ler, fazer desporto, etc. Acresce ainda, fazer uma lista de compras e evitar ir ao supermercado com fome e/ou quando se sente stressado ou instável emocionalmente. Adita que, a prática de exercício físico pode ser uma aliada, uma vez que, esta promove o aumento dos níveis sanguíneos de serotonina, um neurotransmissor que ativa a sensação de bem-estar e felicidade.
Reveste-se também de extrema importância, cuidar da alimentação, pois, pode se sentir bem e por algum motivo estar constantemente cansaço e irritado/a, podendo tal, estar associado a uma alimentação inadequada. Por exemplo, carências nutricionais de ferro podem ocasionar fraqueza, cansaço, letargia. Bem como, carências de vitaminas do complexo B estão associadas a estados de maior irritabilidade, bem como, cansaço. E ainda, dietas muito pobres em hidratos de carbono, podem desencadear dificuldades de concentração e demais.
Posto isto, cada situação requer de análise individual, podendo a fome emocional ser um problema nutricional, mas também um problema psicológico. Assim, é primordial o acompanhamento multidisciplinar da nutrição e da psicologia.












Comentários