Depois do anúncio da sua demissão, que surpreendeu a sociedade lousadense, Antero Correia falou a O LOUZADENSE sobre essa decisão, indo mais além do que está explanado na sua carta de demissão, que publicamos ontem. Nesta entrevista, declara que a contestação interna está relacionada com a conta bancária e com divergências sobre prioridades de investimento, defendendo que “as novas instalações devem prevalecer sobre a aquisição de uma viatura de luxo”.
Antero Correia apresentou a demissão do cargo de presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada, alegando não ter condições para continuar perante a contestação interna que, segundo afirma, se tem vindo a intensificar desde as comemorações do centenário da corporação.
Em entrevista ao Jornal O Louzadense, o agora presidente demissionário identifica elementos do corpo ativo e uma parte do comando como protagonistas dessa contestação, que, na sua interpretação, está essencialmente relacionada com questões financeiras e com a gestão dos recursos da instituição.
«As coisas são direcionadas para a minha pessoa», afirma Antero Correia, rejeitando que a situação tenha como objetivo o afastamento do comandante, como chegou a ser falado em certos meios locais.
O antigo dirigente associa as divergências a diferentes entendimentos sobre a aplicação do dinheiro disponível, nomeadamente no que respeita à aquisição de uma viatura de elevado valor ou ao investimento em melhores instalações para a corporação.
«Eu prefiro as instalações novas ao carro novo», sublinha, explicando que nunca considerou prioritária a compra de uma viatura de luxo. Na sua perspetiva, os bombeiros dispõem do equipamento indispensável para prestar serviço à população, embora reconheça que possam não ter tudo aquilo de que necessitam.
Antero Correia critica o que considera ser uma preocupação excessiva com a imagem e a aquisição de veículos de elevado valor, contrapondo essa visão à necessidade de investir nas condições físicas da instituição.
«Se querem esbanjar dinheiro, arranjem outro presidente. Não sou esbanjador de dinheiro», declara, justificando assim a sua posição perante as divergências que terão contribuído para a saída.
A contestação, segundo o próprio, não é recente e já se fazia sentir durante o período das comemorações do centenário. O presidente demissionário afirma ter ficado surpreendido com o facto de a contestação se dirigir à sua pessoa, uma vez que, segundo as informações de que dispunha, pensava que as críticas internas eram sobretudo dirigidas ao comandante.
A demissão foi aceite pelo presidente da Assembleia Geral, segundo relata Antero Correia, que admite, contudo, a necessidade de assegurar a passagem de funções e dos serviços antes de concluir a saída.
Esta é a terceira demissão na Direção dos Bombeiros, que inicialmente era comporta por 7 elementos e está reduzida a 4. Além de Antro Correia, também a vice-presidente Sandra Teixeira e o Tesoureiro César Gonçalves, tinham-se demitido anteriormente.
Entretanto a coletividade deverá reunir em breve numa Assembleia Geral Extraordinária para debater a questão diretiva. Falta cerca de um ano para o novo ato eleitoral. Vão os bombeiros manter-se com uma Direção reduzida, mas ainda assim com quórum, ou seja, com legitimidade para dirigir a coletividade? Se houver mais alguma demissão, a Direção cai.
Para já o órgão diretivo inclui: Paulo Manuel Rego (Secretário); Hélder Magalhães Ferreira (Vogal); Joaquim António Pinto Alves (Vogal) e Luís José Gonçalves Correia (Secretário Adjunto). Este último é filho de Antero Correia.













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