O Núcleo de Imprensa de Lousada (NIL) completou seis anos de atividade regular, consolidando-se como um pilar essencial na salvaguarda e divulgação do património tipográfico e da história da imprensa periódica da região. Inaugurado a 23 de outubro de 2020, no edifício da Biblioteca Municipal, este espaço museológico nasceu de uma parceria estratégica entre o Município de Lousada e o Museu Nacional da Imprensa. O grande objetivo inicial residia em expor, recuperar e valorizar a memória da indústria tipográfica e da imprensa local e regional. Seis anos volvidos, o balanço traduz-se no sucesso da preservação histórica combinada com uma forte dinâmica de mediação cultural e serviço educativo.
Após um início de atividade condicionado pela conjuntura de pandemia que, para além do isolamento, impôs normas muito restritivas à fruição de espaços culturais, o NIL entrou num ciclo de funcionamento quase pleno a partir de julho de 2021. Até ao final de 2022, o Serviço Educativo foi responsável pela realização de dezenas oficinas criativas, visitas guiadas e ações de apoio a eventos que mobilizaram mais de 600 visitantes. Contudo, a partir de 2023, com a organização de um serviço educativo e de mediação cultural permanente, foi possível alcançar metas mais ambiciosas, que não se resumem, somente, à contabilização de ações culturais e de visitantes. Foi, acima de tudo, a definição de uma estratégia de comprometimento com a missão museológica, educativa e cultural e a construção de uma identidade reconhecida. Ao longo dos últimos três anos (2023-2025), o NIL recebeu 3500 visitantes, exclusivamente alcançados no contexto das ações desenvolvidas no seu espaço, mais de 100 visitas guiadas, 60 oficinas vocacionadas para a tipografia e as técnicas de impressão, treze exposições, sendo seis de conceção e produção própria.
O núcleo dispõe de uma coleção de materiais balizados entre os séculos XIX e XX. A exposição permanente reproduz fielmente a organização de uma tipografia tradicional, dividindo-se pelas áreas de fundição, composição, impressão e encadernação. Através deste circuito, o público compreende os avanços tecnológicos desde a invenção da imprensa até meados do século XX. A coleção permanente, sedimentada na cedência de equipamentos por parte do Museu Nacional da Imprensa, consolidou-se através de novas aquisições e, mercê do prestígio que alcançou, através de doações particulares, que muito honram a gestão deste equipamento cultural.
No plano do serviço educativo e da mediação cultural o balanço destaca o papel crucial das oficinas criativas e pedagógicas promovidas de forma contínua. Com a realização de oficinas temáticos regulares (todos os meses do ano) — que incluem, entre muitas outras temáticas, conservação e restauro de papel, cianotipia, encadernação artesanal e a recente oficina de linogravura —, o espaço conseguiu aproximar as famílias e a comunidade escolar das artes gráficas tradicionais.
Ainda neste contexto, uma referência importante para as ações de mediação cultural desenvolvidas durante as interrupções letivas, garantindo oficinas temáticas e criativas para crianças e jovens, proporcionando diversão e conhecimento durante os períodos de férias.
As visitas guiadas ao Núcleo de Imprensa de Lousada constituem outra dinâmica fundamental de aproximação do público escolar e do público em geral. Solicitadas ao longo de todo o ano pelas mais diversificadas instituições, como escolas, centros de formação, associações, etc., a visita guiada envolve sempre momentos de experimentação e de impressão ao vivo.
Outro vetor da ação do NIL são as exposições temáticas recebidas, com amplo destaque para a exposição “Jornais da Liberdade”, no contexto dos 50 Anos do 25 de Abril, ou as exposições Porto Cartoon World Festival, como a exposição patente ao público até 20 de novembro, “Bob Dylan na Caricatura Internacional”. Para além das exposições cedidas pelo Museu Nacional da Imprensa, o NIL tem a sua produção expositiva própria, baseada na investigação da sua equipa técnica, em que se destacam as recentes exposições “Duarte Leite: perfil e humor pelas páginas da imprensa periódica” e “A Censura no Estado Novo: a imprensa periódica local e regional”; ou, ainda, “Publicidade e atividade económica na imprensa de Lousada (2022) e “A Romaria da Senhora Aparecida na imprensa periódica local, 1860-1940”. Registe-se, ainda, a implementação da itinerância que se concretizou, desde já, com a cedência da exposição “A Censura no Estado Novo” à Escola Básica Lousada Este (Caíde de Rei), que estará patente até 20 de novembro.
Refira-se, também, que o espaço dedicado ao Serviço Educativo é convertível em pequeno auditório, sendo requisitado para inúmeros efeitos, desde ações de formação, conferências, lançamentos de livros.
Por fim, uma palavra para o esforço no sentido de criar projetos gráficos e editoriais próprios, que se baseiem na adoção de técnicas tipográficas e de gravação manuais, sendo um exemplo disto a edição limitada da gravura “Sementes de Abril” da autoria da artista plástica Mónica Biscaia Araújo.
Todas estas concretizações, e outras que estão a ser projetadas, fazem do Núcleo de Imprensa de Lousada um autêntico projeto cultural, estruturado com base em princípios técnicos e científicos, com os resultados totalmente colocados ao serviço da comunidade.
Em suma, estes seis anos de atividade revelam que o Núcleo de Imprensa de Lousada ultrapassou a mera condição de depósito estático de máquinas antigas. O NIL afirmou-se como um museu vivo e interativo. Ao cruzar a conservação da herança industrial com as atividades artísticas contemporâneas, o núcleo cumpre eficazmente a missão de manter viva a história da palavra impressa e da liberdade de expressão. O Núcleo de Imprensa de Lousada é um projeto cultural único.













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